Mostrando postagens com marcador 100 melhores músicas clássicas para ouvir online. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 100 melhores músicas clássicas para ouvir online. Mostrar todas as postagens

Sinfonia nº 1 em D Maior - "The Titan" - Gustav Mahler



A Sinfonia no 1 em Ré Maior (D major) por Gustav Mahler foi escrita entre 1884 e 1888. Ela também é conhecida por seu apelido Titã. O nome Titã não se refere diretamente aos deuses da mitologia grega mas a um romance do escritor romântico Jean Paul.

100 melhores músicas clássicas para ouvir online - Sinfonia nº 1 em D Maior - "The Titan" - Gustav Mahler


Gustav Mahler (Kalischt, Boêmia - Império Austro-Húngaro - atualmente República Checa, 7 de julho de 1860 — Viena, 18 de maio de 1911) foi um Maestro judaico austríaco e compositor. Atualmente, Mahler costuma ser visto como um dos maiores compositores, lembrado por ligar a música do século XIX com o período moderno, e por suas grandes sinfonias e ciclo de canções sinfônicas, como, por exemplo, Das Lied von der Erde (A Canção da Terra). É considerado também um exímio orquestrador, por usar combinações de instrumentos e timbres que pudessem expressar suas intenções de forma extremamente criativa, original e profunda. Suas obras (principalmente as sinfonias) são geralmente extensas e com orquestração variada e numerosa. Mahler procura romper os limites da tonalidade, posto que em muitas de suas obras há longos trechos que parecem não estar em tom algum. Outra característica marcante das obras de Mahler é um certo caráter sombrio, algumas vezes ligado ao funesto.

A estréia da sinfonia ocorreu no dia 20 de Novembro de 1889, em Budapeste, sob a regência do próprio Mahler. Na ocasião, a sinfonia não foi bem recebida pelo público. A Sinfonia 1 em Ré Maior é escrita para uma orquestra composta pelos seguintes instrumentos: 4 flautas (2 piccolos), 4 oboés (um corne inglês), 4 clarinetes, 3 fagotes (um contrafagote), 7 trompas, 4 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, 4 tímpanos, pratos, triângulo, tam-tam, bombo, 1 harpa, 1 quinteto de cordas formado por: violinos, violas, cellos e baixos. Um caso de amor do compositor durante sua juventude provavelmente serviu de inspiração para a criação da sinfonia. Contudo, ela é mais do que isso conforme explica o próprio Mahler numa carta para Max Marschalk, em 26 de Março de 1896: Gostaria que ficasse enfatizado ser a sinfonia maior do que o caso de amor que se baseia, ou melhor, que a precedeu, no que se refere à vida emocional do criador. O caso real tornou-se razão para a obra, mas não em absoluto, o significado real da mesma. (...) Assim como considero uma vulgaridade inventar música para se ajustar a um programa, também acho estéril dar um program para uma obra completa. O fato de a inspiração ou base de uma composição ser uma experiência de seu autor não altera as coisas. Originalmente ela foi concebida para ser um grande poema sinfônico. Mahler escreveu um programa para a sinfonia, após as primeiras apresentações, embora dissesse em várias ocasiões que acreditava que a música deveria falar por si mesma, sem a necessidade do apoio de um texto explicativo.


Como costumava fazer com outras obras suas, Mahler revisou a Sinfonia 1, entre os anos de 1893 e 1896. A mudança mais significativa foi retirada de um movimento andante chamado "Blumine", sobra de uma música incidental que Mahler tinha escrito para Der Trompeter von Säkkingen (1884). Em 1894, depois de três apresentações, Mahler descartou o movimento e só permaneceram as referências a ele no segundo motivo do finale. O movimento "Blumine" só foi redescoberto em 1966, por Donald Mitchell. Benjamin Britten conduziu a primeira apresentação da Sinfonia 1 com o movimento "Blumine", desde que ele tinha sido executado pela última vez por Mahler em Aldeburgh. As maiorias das apresentações modernas da sinfonia não incluem o "Blumine", ainda que seja possível não raramente se deparar com execuções do movimento em separado. De forma análoga, poucas gravações da sinfonia 1 incluem o movimento. A obra inclui vários temas de um ciclo de canções composto por Mahler entre 1883 e final de 1884 chamado: Lieder Eines fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante). Existem influências também de Das klagend Lied (A Canção da Lamentação), completada por Mahler em 1 de Novembro de 1880 para participar de um concurso de 1881 conhecido como Prêmio Beethoven. A Sinfonia 1 de Mahler é uma sinfonia primaveril, semelhante em alguns aspectos com a Sinfonia 1 de Robert Schumann. Ela não é contudo uma simples descrição visual da natureza. Ela reflete uma natureza sob os inocentes olhos de uma criança, que ao mesmo tempo toma consciência da fragilidade e da morbidez inerentes à condição humana.

Os movimentos
Na sua forma final a sinfonia, cuja duração aproximada é de 55 minutos, é formada por quatro movimentos distribuídos da seguinte forma:
  1. Langsam, schleppend - Devagar, arrastando (~ 16 minutos)
  2. Scherzo, Kraeftig bewegt - Poderosamente agitado (~ 8 minutos)
  3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen - Solene e moderado, sem se arrastar (~ 11 minutos)
  4. Stuermisch bewegt - Agitado (~ 20 minutos)


A sinfonia inicia de forma misteriosa no primeiro movimento. Sons do cuco e de outros pássaros, representados musicalmente, anunciam o despertar da natureza e dão fim à tensão e às dúvidas. Um tema lírico segue.

O segundo movimento é um Landler-scherzo, parecido com os landlers de Anton Bruckner e de Haydn.

O terceiro movimento causou uma certa polêmica na época devido a sua aparente bizarrice. Adaptada como marcha fúnebre, é usada de forma paródica uma melodia infantil bastante conhecida, chamada em alguns países de Frère Jacques e em outros de Bruder Martin. A seu respeito Mahler escreveu no programa para os concertos em 1893 e 1894:

A idéia dessa peça veio ao autor por intermédio de uma gravura paródica conhecida por qualquer criança da Alemanha do Sul e intitulada "Os funerais do caçador". Os animais da floresta acompanham o caixão do caçador morto; lebres empunham uma bandeira; à frente uma trupe de músicos boêmios acompanhados por instrumentistas gatos, corujas e corvos... Cervos, corças e outros habitantes da floresta, de pêlo ou pena, seguem o cortejo com fisionomias afetadas. A peça, com uma atmosfera ora ironicamente alegre, ora inquientante, é seguida de imediato pelo último movimento "d'all Inferno al Paradiso", expressão súbita de um coração ferido no mais profundo de si...

O silêncio do terceiro movimento é abruptamente interrompido, de forma histérica, pela orquestra no quarto movimento. Conta-se que durante uma das primeiras apresentações da Sinfonia 1, uma senhora espantou-se e derrubou todos os objetos que carregava na mão. Após alguns minutos a fúria inicial do último movimento é contida e cede lugar a uma melodia lírica. Os temas dos movimentos anteriores são lembrados. Perto do final, ocorre uma nova tempestade sonora, porém, ao contrário do início, que lembrava uma "luta", agora o sentimento é de "triunfo". Nesta parte Mahler pede para que os trompetistas da orquestra toquem de pé.


 Fontes: Texto - Vídeo - Top
Música Clássica

Gabriel's Oboe - Ennio Morricone


"Gabriel's Oboe é o tema principal do filme "A Missão" digido por Roland Joffé e lançado em 1986. O tema foi escrito pelo compositor italiano Ennio Morricone, e tem sido arranjado e tocado várias vezes por artistas como Yo-Yo Ma, Holly Gornik, e Brynjar Hoff, dentre outros. O tema tem sido chamado de "inesquecível" e uma "célebre melodia de oboé".

100 melhores músicas clássicas para ouvir online - Gabriel's Oboe - Ennio Morricone


Ennio Morricone OMRI (Roma, 10 de Novembro de 1928), é um compositor, arranjador e maestro italiano. Ao longo da sua carreira foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 filmes e programas de televisão. Morricone escreveu algumas das trilhas sonoras mais conhecidas dos western spaghetti do cineasta Sergio Leone: Per un pugno di dollari (br: Por um Punhado de Dólares), de 1964, Per qualche dollaro in più (br: Por Uns Dólares a Mais), de 1965, Il buono, il brutto, il cattivo (br: Três Homens em Conflito), de 1966, e Once Upon a Time in the West (br: Era uma Vez no Oeste), de 1968. Suas composições mais recentes incluem as bandas sonoras de Once Upon a Time in America (br: Era uma vez na América), de 1984, The Mission (br/pt: A Missão), de 1986, The Untouchables (br/pt: Os Intocáveis), de 1987, Nuovo cinema Paradiso (br: Cinema Paradiso), de 1988, Lolita, de 1997, Malèna, de 2000, e Inglorious Basterds (br: Bastardos Inglórios), de 2009.

Ennio Morricone venceu cinco prémios BAFTA entre 1979 e 1992. Foi também nomeado pela Academia de Hollywood para cinco Oscares de Melhor Banda Sonora Original entre 1979 e 2001, não tendo vencido nenhum deles. Em 2007, Morricone recebeu pelas mãos de Clint Eastwood um Óscar honorário "pelas suas magníficas e multifacetadas contribuições musicais ao cinema".


 Fontes: Texto - Vídeo - Top
Música Clássica

The Sleeping Beauty (A Bela Adormecida) - Piotr I. Tchaikovsky

 

A Bela Adormecida é um balé de um prólogo e três atos do compositor russo Tchaikovsky, o libreto de Marius Petipa e Ivan Vsevolojsky, e coreografia de Marius Petipa baseado no conto de fadas do escritor francês Charles Perrault. Sua estreia ocorreu no Teatro Mariinsky em São Petersburgo no dia 5 de Janeiro de 1890. Tchaikovsky escreveu a obra entre o período do ano de 1888 à 1889.

100 melhores músicas clássicas para ouvir online - The Sleeping Beauty (A Bela Adormecida) - Piotr I. Tchaikovsky


Piotr Ilitch Tchaikovsky (7 de maio de 1840) — São Petersburgo, 6 de novembro de 1893) foi um compositor romântico russo tendo composto trabalhos como sinfonias, concertos, óperas, balés, música de câmara e obras para coro para as liturgias da Igreja Ortodoxa Russa. Alguns de seus trabalhos estão entre as obras mais populares dentro do repertório erudito. Ele foi o primeiro compositor russo a ter uma grande fama internacional, tendo feito aparições como maestro convidado no fim de sua carreira pelos Estados Unidos e Europa. Uma dessas apresentações foi no concerto inaugural do Carnegie Hall em Nova Iorque, em 1891. Tchaikovsky foi honrado em 1884 com uma pensão vitalícia pelo Imperador Alexandre III.

Prólogo - O Batizado

O rei Florestan e a rainha convidaram todas as fadas para serem as madrinhas do batizado de sua filha recém-nascida, Aurora. Enquanto as fadas oferecem seus presentes à bebé, um trovão anuncia a chegada da terrível fada Carabosse, que o mestre de cerimônias esqueceu de incluir na lista de convidados. Ultrajada, Carabosse anuncia que também irá dar um presente à bebê: quando Aurora completar 16 anos, ela iria se picar com uma agulha no dedo e então mergulhará num sono eterno. Felizmente uma das fadas madrinhas ainda não havia dado o seu presente, e então contraria Carabosse, prometendo que Aurora não irá mergulhar num sono eterno e sim cairá num sono que durará até que um príncipe a desperte com um beijo e se case com ela. Como precaução, o rei proíbe todos os objetos aguçados no seu reino.

Ato I - O Feitiço

Aurora completou 16 anos. Quatro príncipes vieram pedir a sua mão em casamento. A corte reúne-se nos jardins e os camponeses e crianças dançam com as grinaldas de flores. A princesa dança com os seus pretendentes. Entra em cena uma velha que lhe oferece um ramo de rosas. Aurora aceita o presente e encontra uma agulha entre as rosas, um objeto que nunca havia visto. Segura na mão e, durante a dança acidentalmente, pica-se num dedo. Parece desmaiar, mas depois recompõe-se. A dança torna-se vertiginosa e Aurora desmaia de vez. Neste momento, a velha tira o seu disfarce e se revela Carabosse, exultante por ter se cumprido o seu feitiço. Mas de imediato surge a fada lilás para reafirmar também a sua promessa. Um véu cai sobre a cena e cresce uma floresta mágica para esconder o castelo, o reino e todos os seus arredores.

Ato II - A Visão

Passaram-se 100 anos. O príncipe Désiré caça na floresta mágica. Num momento em que se afasta do seu grupo, a fada Lilás, que também é sua madrinha, mostra-lhe a imagem da princesa. Désiré implora à fada Lilás que o leve para junto de Aurora, assim os dois viajam num barco encantado até ao palácio. Seguindo a fada, Desiré entra no quarto onde dorme Aurora, no meio da corte enfeitiçada. Desperta-a com um beijo e todos acordam de volta à vida. Désiré pede a mão de Aurora em casamento e o rei Florestan e a rainha concedem-na com alegria.

Ato III - O Casamento

A princesa casa-se com o príncipe e vivem felizes para sempre.



 Fontes: Texto - Vídeo - Top
Música Clássica

Piano Sonatas in B minor and in D major - Domenico Scarlatti


Giuseppe Domenico Scarlatti (Nápoles, 26 de outubro de 1685 – Madrid, 23 de julho de 1757) foi um compositor italiano. Filho do também músico e compositor Alessandro Scarlatti, suas maiores contribuições para a música foram suas sonatas para teclado em um único movimento, em que empreendeu abordagens harmônicas bastante inovadoras, apesar de ter composto também obras para orquestra e voz. Embora tenha vivido no período que corresponde ao auge da música barroca européia, suas composições, mais leves e homofônicas, têm estilo mais próximo daquele do início do período clássico.

100 melhores músicas clássicas para ouvir online - Piano Sonatas in B minor - Domenico Scarlatti


Apenas uma fração das composições de Scarlatti foi publicada durante sua vida. Parece que o próprio Scarlatti supervisionou a publicação, em 1738, de sua coleção mais famosa, um livro de 30 Esercizi ("Exercícios") que foram aclamados em toda a Europa com o apoio irrestrito do mais proeminente escritor sobre música do século XVIII, o Dr. Charles Burney.

As muitas sonatas não publicadas durante a vida de Scarlatti foram impressas de forma irregular ao longo dos dois séculos e meio seguintes. Apesar disso, Scarlatti atraiu a atenção de admiradores notáveis inclusive Chopin, Brahms, Bartók, Heinrich Schenker e Vladimir Horowitz. Particularmente a escola russa de piano tem sido apoiadora/divulgadora das sonatas.

Scarlatti compôs cerca de de quinhentas sonatas para o teclado, geralmente de um único movimento, na forma binária. A moderna técnica do piano deve muito à sua influência. Algumas possuem uma audácia harmônica tanto no uso de dissonâncias ou aglomeados de acordes , no uso audacioso de modulações não convencionais e tonalidades remotas. Scarlatti também foi pioneiro no domínio do ritmo e da sintaxe musical: síncopes e ritmos cruzados são comuns em sua música.

Fontes: Texto - Vídeo - Top
Música Clássica

Water Music (Música Aquática) - George Frideric Handel


Música Aquática (em inglês: Water Music) é uma coleção de movimentos orquestrais, frequentemente divididos em três suítes, compostas por George Frideric Handel. Sua estreia se deu em 17 de julho de 1717, após o rei Jorge I encomendar um concerto para ser execudado sobre o rio Tâmisa. O concerto foi executado originalmente por cerca de 50 músicos, situados sobreu uma barca nas proximidades da barca real, a partir da qual o monarca escutava a peça com seus amigos mais próximos, incluindo Anne Vaughan, Duquesa de Bolton, a Duquesa de Newcastle, a Condessa de Darlington, Condessa de Godolphin, Madame Kilmarnock, e o Earl das Órcades. As barcas, que se dirigiam a Chelsea ou Lambeth, e deixando a festa pouco depois da meia-noite, aproveitavam-se das marés do rio. O rei Jorge teria gostando tanto das suítes que pediu a seus músicos, já esgotados, que tocassem-na por três vezes durante o tempo do percurso.



Georg Friedrich Händel (Halle an der Saale, 23 de Fevereiro de 1685 — Londres, 14 de Abril de 1759) foi um célebre compositor da Alemanha, naturalizado cidadão britânico em 1726. Desde cedo mostrou notável talento musical, e a despeito da oposição de seu pai, que o queria um advogado, conseguiu receber um treinamento qualificado na arte da música. A primeira parte de sua carreira foi passada em Hamburgo, como violinista e maestro da orquestra da ópera local. Depois dirigiu-se para a Itália, onde conheceu a fama pela primeira vez, estreando várias obras com grande sucesso e entrando em contato com músicos importantes. Em seguida foi indicado mestre de capela do Eleitor de Hanôver, mas pouco trabalhou para ele, e esteve na maior parte do tempo ausente, em Londres. Seu patrão mais tarde se tornou rei da Inglaterra como Jorge I, para quem continuou compondo. Fixou-se definitivamente em Londres, e ali desenvolveu a parte mais importante de sua carreira, como autor de óperas, oratórios e música instrumental. Quando adquiriu cidadania britânica adotou uma versão anglicizada de seu nome, George Frideric Handel.

Fontes: Texto - Vídeo - Top

Música Clássica

A Paixão Segundo São Mateus BWV 244 (Matthäuspassion) - Johann Sebastian Bach

A Paixão Segundo São Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum), conhecida na Alemanha pelo nome de Matthäuspassion, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de São Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de 2 horas e meia (em algumas interpretações, mais de 3 horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. São esta e a Paixão Segundo São João as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão segundo São Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros(5), corais, recitativos, ariosos e árias.

100 melhores músicas clássicas para ouvir online - A Paixão Segundo São Mateus BWV 244 (Matthäuspassion) - Johann Sebastian Bach

A Paixão Segundo São Mateus de Bach foi escrita, provavelmente, em 1727. Apenas duas das quatro (ou cinco) composições sobre a Paixão de Cristo, que Bach escreveu, subsistiram integralmente; a outra é a Paixão Segundo São João. A obra foi apresentada pela primeira vez na Sexta-feira da Paixão de 1727 ou na Sexta-feira da Paixão de 1729 na Thomaskirche (Igreja de São Tomás) em Leipzig, onde Bach era o Kantor. Ele a revisou em 1736, apresentando-a novamente em março desse mesmo ano, incluindo dessa vez dois órgãos na instrumentação.

A Paixão segundo São Mateus não foi ouvida fora de Leipzig até 1829, quando Felix Mendelssohn apresentou uma versão abreviada em Berlim, com grande aclamação. A redescoberta da Paixão segundo São Mateus através de Mendelssohn conduziu a música de Bach — principalmente as grandes obras — à atenção pública e acadêmica que persiste até os dias atuais.

Muitos compositores escreveram composições sobre a Paixão de Cristo no século XVII. Como outras Paixões em forma de oratório, a composição de Bach apresenta o texto bíblico de Mateus, capítulos 26 e 27, de um modo relativamente simples, usando, prioritariamente, recitativos, enquanto nas árias e ariosos emprega textos poéticos, que comentam os vários eventos da narrativa bíblica.

Dois aspectos distintos da composição de Bach brotam de seus outros esforços eclesiásticos. Um deles é o formato de coro-duplo, que se origina em seus próprios motetos a coro-duplo e os muitos motetos desse tipo, escritos por outros compositores, com os quais ele iniciava rotineiramente os cultos dominicais. O outro é o uso abundante de corais, que aparece na composição padrão a 4 partes, como interpolações em árias, e como um cantus firmus em extensos movimentos polifônicos, notadamente "O Mensch, bewein dein’ Sünde groß," a conclusão do primeiro meio-movimento que essa obra tem em comum com a sua Paixão segundo São João — e o coro inicial, Kommt, ihr Tochter, helft mir Klagen, no qual o soprano in ripieno coroa a colossal edificação da tensão polifônica e harmonica, cantando um verso do coral O Lamm Gottes, unschuldig (atribuído a Nikolaus Decius (1541).

Os manuscritos remanescentes consistem de oito partituras concertate, usadas por oito solistas que também atuavam nos dois coros, umas poucas partes extras, e uma parte para o soprano in ripieno. Ao contrário da Paixão segundo São João, onde existem partes de ripieno dobrando os coros, existe pouca evidência de que se usavam cantores adicionais além dos solistas que cantavam nos coros.

A narração dos textos do Evangelho é cantada pelo tenor Evangelista em recitativo secco acompanhado apenas pelo contínuo. Solistas cantam as palavras de vários personagens, mesmo em recitativos; além de Jesus, há partes designadas para Judas, Pedro, Caifás (o sumo sacerdote), Pôncio Pilatos, mulher de Pilatos, e duas ancillae (serventes), embora nem sempre sejam cantadas por diferentes solistas. A esses "personagens" solistas são freqüentemente designadas árias além de cantarem no coro, prática nem sempre seguida pelos intérpretes modernos. Dois duetos são cantados por um par de solistas, representando dois falantes simultâneos, e um grande número de passagens para vários falantes, chamados turba (ou multidão), são cantadas por um dos dois coros. As passagens da turba não são recitativos, mas são música métrica convencional.

Os recitativos cantados por Jesus são particularmente diferentes, pelo fato de serem acompanhados não apenas pelo contínuo, mas por toda a seção de cordas da 1ª orquestra (recitativo accompagnato), usando notas longas e criando um som sustentado chamado freqüentemente de "halo" de Jesus. Apenas as palavras finais Eli, Eli, lama sabactani (Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?), são cantadas sem esse "halo".

As árias, compostas sobre os textos de Picander, são intercaladas em seções do texto do Evangelho, e são cantadas pelos solistas com uma variedade de acompanhamentos instrumentais, típicos do gênero oratório.

Os textos interpolados interpretam teológica e pessoalmente os textos do Evangelho. Muitos deles destacam o sofrimento de Cristo, como o coral "Ich bin’s, ich sollte büßen" ("Sou eu quem deveria sofrer"), a ária de contralto "Buß und Reu" (retratando o desejo de ungir Jesus com as próprias lágrimas), e a ária de baixo "Mache dich, mein Herze, rein" (oferecendo-se para sepultar Jesus). Freqüentemente refere-se a Jesus como "meu Jesus." O coro se alterna entre participar da narrativa e comentá-la como um observador externo.

Como é típico de composições sobre a Paixão,não há nenhuma menção à Resurreição em nenhum desses textos. Seguindo os passos de Anselmo de Cantuária, a crucificação em si é o ponto-final e a fonte da redenção; a ênfase é no sofrimento de Jesus. O coro canta, "livra-me dos meus temores / através do teu próprio temor e dor". O baixo, chamando-a de "doce cruz," diz "Sim, de fato esta carne e sangue em nós/ querem ser forçadas à cruz / tanto melhor será para a nossa alma, / quanto mais amarga for sentida".

O coral "O Lamm Gottes" compara a crucificação de Jesus com o sacrifício ritual de um cordeiro no Velho Testamento, como uma oferta pelo pecado. Esse tema é reforçado pelo coral final da primeira metade, "O Mensch, bewein dein’ Sünde gross"; ("Ó homem, chora teu grande pecado").

Os recitativos de Bach estabelecem, freqüentemente, o espírito de passagens específicas, destacando palavras carregadas de emoção como "crucifiquem", "matem", "chorem", com melodias cromáticas. Acordes de sétima diminuta e modulações inesperadas acompanham as profecias apocalípticas de Jesus.

Nas partes da turba, os dois coros às vezes se alternam no estilo cori spezzati e.g. ("Weissage uns, Christe") e, às vezes, cantam juntos ("Herr, wir haben gedacht"); em outros momentos, apenas um coro canta (o coro I é sempre usado para representar os discípulos) ou alternando, por exemplo, quando "alguns observadores" dizem "Ele está clamando por Elias" e "outros" dizem "Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo."

Nas árias, instrumentos obbligati são parceiros iguais das vozes. Bach usa freqüentemente madrigalismos, como em "Buß und Reu", quando as flautas começam a tocar staccato como gotas de chuva, enquanto o contralto canta sobre gotas de lágrimas caindo. Em "Blute nur", a linha melódica sobre a serpente é composta como uma melodia sinuosa.

Curiosidades:

Paul Simon baseou sua canção "American Tune" na linha melódica do coral "O Haupt voll Blut und Wunden". Essa canção é uma releitura da canção "Mein Gmuth ist mir verwirret", composta por Hans Leo Hassler.

Em março de 2005 uma performance da Paixão in Utrecht (Holanda) foi enriquecida com projeções de vídeo. Alguns excertos podem ser vistos em: http://www.imagesandmusic.nl/dhtml/Mattheus.htm

Richard Dawkins, o popular biólogo evolucionista, selecionou a Paixão como um dos seus oito Discos de uma Ilha Deserta (ref. a Desert Island Discs, um programa da BBC Radio 4, no qual os participantes são convidados a imaginar-se lançados numa ilha deserta e a escolher oito peças musicais que levariam consigo).

Lewis Thomas descreveu a Paixão segundo Mateus em seu livro "A Medusa e o Caracol" como sendo um exemplo da mente humana trabalhando integralmente.

Fontes: Texto - Vídeo - Top
Música Clássica